terça-feira, 6 de julho de 2010

Tranquila

Meu lindo bebezinho,
Dia a dia a esperança enraiza-se no meu coração. Já consigo "ver" o teu narizinho, imaginar-te ao pé de nós. Mas é uma felicidade tranquila, longe daquela euforia de Março.
Esta é uma gravidez mais tranquila, decerto serás um bebé sossegadinho e calmo. Sinto isso. Os enjoos não são esmagadores. Tudo passa bem.
Só me preocupam as dores, semelhantes ao período na base das costas/rins, às vezes na barriga.
E tenho dificuldade em lidar com as oscilações de humor, em aceitar o teu pai e as suas excentricidades. Por vezes, até o seu toque.
Mas ontem foi bom e hoje já me apetecia agarrá-lo, dar-lhe umas beijocas. Estava muito bonito e bem cheiroso, banhinho tomado, barba feita, camisa aos quadradinhos azuis.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Um fim-de-semana difícil

Bom dia querida ervilhinha,
Este fds foi muito difícil para mim, e creio que para ti também possa ter sido. Não sei porquê não me estou a entender muito bem com o teu pai. Parece-me que há entre nós um conflito de interesses:
  • Por estar grávida, eu esperaria ser cuidada, amada, no mínimo, respeitada quanto às minhas necessidades de atenção, sossego e descanso. Parece-me também que tenho uma grande necessidade de estar sozinha, esta é uma viagem interior e preciso desse espaço. Durante o tempo em que estive grávida da Teresinha senti-me tão desiludida com a falta de carinho e cuidado do teu/vosso pai que desta vez decidi não esperar nada dele. Mas defender com todas as minhas forças e capacidades o meu espaço e o meu descanso. Resulta desta decisão que estou defensiva, que me isolo e que estou desiludida com o teu pai.
  • O teu pai habituou-se a que eu estivesse sempre lá para tudo - para ouvir todos os disparates que o assaltam, para o ajudar a dormir, para respeitar o espaço e o tempo dele. Eu, mea culpa, criei o hábito de o tratar como um bebé mimado. E para ele não há o antes e o depois de ter um bebé cá dentro para cuidar. Continua a exigir os mesmos cuidados, tolerância, mimos e atenções e não espera dar nada em troca que não queira. Responde-me frequentemente, não me sinto motivado para isso, este não é o momento.....Faz birras inacreditáveis por causa da cor das couves, da televisão e da atenção que quer agora e só agora e neste momento....
  • Na verdade, ele está igual a si próprio, se juntarmos a reacção emocional infantil à falta de atenção que eu lhe dou ás vezes. Comporta-se como um miúdo de 3 anos - quer atenção agora! e se não a recebe IMEDIATAMENTE começa a disparatar até receber seja o que for, até mesmo um grito
  • E eu? Pois eu estou diferente, mais sensível e consciente de que neste momento preciso defender o meu bebé com todas as minhas capacidades fisicas, emocionais e intelectuais. Preciso dormir e não consigo se o teu pai me destabiliza à meia noite. Preciso, preciso, preciso....e se já não espero receber grande coisa do teu pai ao menos que não tire o bem estar que consigo gerar para nós, não achas?

Foi só um desafo, querida, espero que estejas a desenvolver-te bem mesmo no meio desta agitação emocional....

sexta-feira, 2 de julho de 2010

1ª ECO

No dia 12 de Julho depois das 13h. Depois, primeira consulta.

Por favor, meu Deus, fazei com que o coração já bata!

Eu acho que é um pouco cedo, mesmo em cima das 6 semanas, mas foi assim que a médica marcou.

Para já ando a tomar ácido fólico. E rezo. Como regularmente. E não posso fazer muito mais....

Porque não dormes, mamã?

Antes de saber que estava grávida comecei a sentir um cansaço saboroso à noite, uma vontade de dormir que eu aproveitava e me fazia muito bem.

Mas agora desde que sei ando inquieta. Com medo. Agitada. E não posso tomar os meus amados comprimidos para me ajudar a dormir.

Resultado: leio, respiro, medito até adormecer lá pelas 2h da manhã. E acordo às 7h. Resultam 5h de sono interrompidas a meio para ir à casa de banho.

Mas sinto-me bem.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Meio de transporte

Porque escolhi chamar-me assim?
Foi em honra a uma amiga querida, que quando estava grávida do promeiro filho se autoproclamou "Meio de Transporte", e depois "Pacote de leite".
Como vamos de viagem, pareceu-me muito bem ser meio de transporte.

O medo

Como um falcão vigio todos os sintomas. A falta de sintomas.

O peito estará tão inchado hoje como ontem? Agora como há bocado?

Revisito as gravidezes anteriores. A do meu filho mais velho, que correu bem. A da Teresinha que correu mal.

Comparo. Comparo. E ainda dizem que todas as gravidezes são diferentes!

É como se fossem o meu único guia.

Obectivamente, sinto-me bem. Um pouco mais sensível a quando passo mais tempo sem comer. Uns enjôos leves e por vezes repentinos.

Mas não me sinto doente, como aconteceu já este ano com a Teresinha.


Será desta?

O teu pai

Bom dia querida,

Bem sei que poderás ser um menino mas a minha intuição vai sempre para o feminino. Neste momento isso também não importa quase nada. Depois veremos.

Acho que esta ligação ao feminino vem do teu pai. Estranho, não? Estranho como somos o encaixe um do outro. Como nos atraimos por isso e como nos chocamos também.

O teu pai é sensível ao que não se vê mas se percepciona, atento aos pormenores, delicado e um pouco frágil como se andasse em carne viva pelo mundo.
Resumido, contido. Magro. Às vezes quase um fantasma nos movimentos.
Foi pescador e move-se sempre como se não quisesse assustar os peixes que por ali estejam.
Viveu mais com os peixes que com as pessoas e é um idealista teimoso. Acredita em trazer para a vida de todos os dias o que o apaixona. E é tenaz e forte nisso. Capaz de me levar à loucura em menos de 2 minutos.
E assim tudo no teu pai apela a uma filha mulher por quem se iria derreter, com aqulela suavidade que as mulheres às vezes aparentam.
Eu não sou assim. Sou aberta, ruidosa e um pouco desastrada. Era capaz de o salvar de qualquer perigo imaginário ou não, mas também de o embalar e de o afogar em beijos e carinhos que o fazem fugir a sete pés.
Eu cá, preferia um rapaz, mas isso fica entre nós...